Jonathan Edwards – Biografia

13/01/2010
Raízes


Em novembro de 1620, os assim chamados “pais peregrinos” puritanos que deixaram a Inglaterra, desembarcaram do Mayflower na baía do Cape Cod, Plymouth, Nova Inglaterra. Eles haviam deixado a Inglaterra em razão de perseguições sofridas por se oporem fortemente, tanto a maneira de culto, como de governo que vinham permanecendo na igreja inglesa. Eram 41 homens e suas famílias, cerca de 100 peregrinos, número este que, dentro de 20 anos aumentaria para mais de 20 mil, quando reunidos em uma praia da baia de Massachussets.


O grande interior deste território era praticamente desconhecido. Mas isso não impediu que o eminente pregador puritano Thomas Hooker partisse para a direção oeste da baía em junho de 1636. Pelo espaço de aproximadamente 15 dias, parte do povo que o seguira, de mais ou menos 100 pessoas, caminhou até alcançar Connecticut. Estabeleceram-se então ali, em um lugar que eles nomearam Hartford. Em uma pequena distância ao norte deste local ficava Windsor, onde haveria de nascer o grande Jonathan Edwards.
Como Benjamim Trumbull escreveu a respeito de Connecticut: “Naquela época este território era apenas um vasto deserto. Ali não havia campos agradáveis, nem jardins, nem estradas públicas, nem pedaços de terra limpos“. Em outras palavras, todo aquele lugar se resumia em floresta, água, ou mata queimada e destruída pelos índios, em razão das perseguições a veados e de outros jogos que ocorriam naquela época.


Entre aqueles que viajaram com Hooker estava Ann Coles que, com seu marido, havia trocado as superlotadas ruas da capital da Inglaterra, por esta fronteira colonial. No período de 1620, quando o Mayflower chegou a Plymouth, ela ainda vivia em Londres como a esposa de Richard Edwards que fora um clérigo nativo do País de Gales e mestre de ensino trabalhando na Ratcliffe Free School até sua morte repentina em 1625. Então Ann casou-se com James Coles e, nos 18 anos de seu filho, Willians Edwards, fruto do primeiro casamento, os três viajaram juntos para a Nova Inglaterra, hoje Estados Unidos.


Eles, porém, não viajaram sozinhos, mas na companhia daqueles que encontraram um lugar desabitado na América onde tiveram a oportunidade de gozar a prática da pura adoração do Senhor Jesus Cristo, algo que os puritanos tanto almejavam.


Willians Edwardsfoi a primeira geração da linhagem dos Edwards na Nova Inglaterra. Ele seguiu o comércio. Já o filho de Willians, nascido em 1647 foi o avô de Jonathan. Seu nome era Richard Edwards, homem que, na sua velhice, aos 71 anos de idade, haveria de ser um comerciante moderadamente próspero e que lutaria pela estabilização do comércio da cidade. E em sua morte, deixaria um patrimônio que refletia seu sucesso como homem de negócios. Isso não significa que teve vida fácil, mas era um homem que não se deixava abater pelas provações e que possuía a fidelidade, a vigilância e a humildade de um verdadeiro adorador.


Em 1667 Richard casou-se com Elizabeth Tuttle, que foi sua maior provação. Eles eram um casal aparentemente singular, até Elizabeth dar à luz a um filho de outro homem, posto que recorrera repetidas vezes a infidelidade conjugal nos anos que se seguiram. Mais tarde este fato foi associado com evidência de insanidade.


Timothy Edwards, filho do casal, nada notificou a respeito de sua mãe, mas tinha uma profunda admiração pelo caráter de seu pai: “Ele era naturalmente alegre, esperto e de temperamento agradável, de hábil leitura e que possuía mente vasta e criativo conhecimento, particularmente de história e teologia, e em conversa era, de forma incomum, agradável e divertido“.


Mas foi como um cristão que Timothy veio amar mais a seu pai: “Na presença de Deus ele não comparecia somente para crer, mas para o encanto e prazer… nas orações ele semeava para colher a proximidade com Deus… seus sentimentos sobre a religião eram de sujeição e afetuosos…”.


Quando Timothy deixou pela primeira vez o seu lar, em 1687, para o Harvard College, seu pai deu-lhe todo o encorajamento. Em uma ocasião ele escreveu: “Você pode esperar encontrar dificuldades, mas Deus é ainda Todo Suficiente; Deus é o mesmo em todos os lugares e em todas as condições“. Timothy certamente precisou de encorajamento. Seu nome foi difamado em Harvard, em função de suas dificuldades familiares. Em 4 de julho de 1691, porém, graduou-se com a Harvard Class, recebendo, ao mesmo tempo, dois graus juntos, os de Bacharel e Mestre em Artes, em razão da correção de um mal entendido que ocorrera.


Em algum momento daqueles anos em que Timothy fora estudante, encontrou sua futura esposa, Esther Stoddard, que seria a mãe de Jonathan Edwards. Ela pertencia a uma família incomum e respeitada, possuindo um dos nomes mais respeitados da Nova Inglaterra. Os Stoddard eram líderes em várias terras, até chegar na geração de seu pai, Solomon Stoddard, que já havia começado o seu eminente ministério em Northampton em 1669 como pastor de uma Igreja Congregacional.


Até então Northampton tornara-se a mais ampla cidade do interior de Massachussets e o púlpito de Solomon Stoddard, uma das maiores influências na colônia inteira. E quando George Whitefield, o grande pregador evangelista, visitaria a Nova Inglaterra em 1740, a fama de sua pregação ainda era matéria de conversa comum.


Em 1694 Timothy foi convidado por uma paróquia em Windsor para iniciar seu ministério. Em 6 de novembro do mesmo ano, casou-se com Esther Stoddard em Northampton e, 8 dias mais tarde, eles foram para Windsor.


Timothy tinha 25 anos e Esther 23. E, em março de 1695 ele foi ordenado como pastor. Foi um período que serviu profundamente para confirmar seu chamado. Então, no dia 5 de outubro de 1703, nesta mesma cidade de East Windsor, nasceu Jonathan Edwards. Quatro irmãs, Esther, Elizabeth, Ann e Mary, teriam vindo antes dele. E outras seis estariam para vir depois. Enfim, Jonathan Edwards seria o único filho homem entre as suas dez irmãs.




DA INFÂNCIA À FORMAÇÃO


Timothy Edwards exerceu grande influência na educação de seus filhos. Desde cedo Jonathan já convivia com os problemas e dificuldades do ministério pastoral de seu pai. Por parte de seu pai, Jonathan herdou o vigor de entendimento, a vivacidade, a disposição, a disciplina e coisas desse gênero. De sua mãe, absorveu a gentileza, a nobreza e a educação.


Jonathan Edwards desde muito cedo aprendeu o respeito e a reverência pelas coisas de Deus no seu lar. A exemplo disso, sua mãe, depois de 20 anos de casamento, ainda possuía um zelo tão grande acerca das coisas celestiais que tinha receio e temor de professar sua fé em Cristo publicamente. Na verdade Esther Edwards pertencia a uma tradição que possuía um grande medo de uma conversão superficial e prematura. Diga-se de passagem, que era uma tendência extrema oposta a dos dias de hoje, quando se apela emocionalmente para decisões precipitadas, mesmo antes de se ter apresentado o sólido conteúdo do Evangelho em uma pregação. Não deve haver dúvida de que ela era singularmente piedosa, antes mesmo de experimentar a força da segurança de sua própria salvação. E de fato Esther influenciou muito seu filho com sua misteriosa e profunda espiritualidade e devoção, sua paixão pelos livros e seu conhecimento teológico.


Timothy possuía conhecimento do grego e do latim clássicos, que sempre estavam ao lado da Bíblia. Se interessava por poesia e pelo estudo da natureza – isso foi assimilado por Edwards, pois apreciava a beleza da natureza. Este ficava fascinado nos fins de agosto e inicio de setembro quando via a abundância dos insetos voando, inclusive a borboleta e a mariposa. Portanto, a admiração de Edwards pela Criação começou na sua infância em East Windsor para culminar em um bom observador da natureza.


Aos 12 anos chegaria até a escrever um ensaio sobre os hábitos das aranhas, baseado em suas próprias observações, o que revela um gênio indutivo e empírico de primeira ordem. O Dr. McCook, autor de uma monografia sobre o assunto, confessa ter aprendido com o “maestro Jonathan Edwards“, que já havia descrito 150 anos antes o que ele pensara haver descoberto.


Já o professor Benjamim Silliman, falando sobre Edwards, assim se expressou: “Se ele tivesse se dedicado à ciência física, poderia ter havido outro Newton na extraordinária época em que começou sua carreira”. Segundo Stob, “Jonathan não se entregou à física, não pela incapacidade para tais estudos, mas por uma profunda convicção de que a física e o externo tem pouco peso comparado ao interno e espiritual“.


Mas seu pai, de fato, lhe ensinou muitas coisas e teve uma larga influência sobre sua educação. Seu método educacional era comum naqueles dias. Com a idade de 7 anos, Edwards já memorizava o latim. Mas esse treinamento era balanceado com o encorajamento para um auto-empenho e para a iniciativa individual. Toda palavra deveria, além de ser recitada, escrita de forma acurada, posto que Timothy tinha a escrita como essencial. O hábito de escrever foi transmitido desde sua tenra infância, para permanecer com ele por todos os seus dias de existência. Quando estava próximo de completar seus 8 anos de idade, Jonathan experimentou sua primeira grande crise de infância no lar. Foi em 1711, quando eclodiu um conflito de interesses entre britânicos e franceses na América do Norte. Isso trouxe conseqüências no lar da família Edwards, porque Timothy foi convocado para servir de capelão. Este fato, naturalmente, afetou Jonathan em seu aprendizado no lar. Por outro lado, ele aprendeu muito com a vida ministerial de seu pai. Começou a perceber que o pastorado de uma Igreja traz consigo problemas inevitáveis. Entre a idade de 7 e 11 anos, Edwards viveria um considerável conflito na paróquia de seu pai. O conflito se deu em razão da necessidade de um novo local para as reuniões. A construção original havia sido submetida a algumas melhorias, mas se tornara pequena por causa do crescimento da congregação. Mas depois de muitos conflitos, tudo acabou se resolvendo em 1714, quando o novo local de reuniões foi terminado. A nova construção haveria de ser concluída ao lado da construção original e ali estaria situada.


No curso do ministério de Timothy, houve numerosas dificuldades paroquiais: na questão dos rendimentos, na questão da autoridade dos ministros e principalmente na questão do governo da Igreja. O acordo original de todas as igrejas da Nova Inglaterra era estritamente congregacional, sendo que cada congregação possuía completa liberdade e independência, investida do poder de decisão. Mas as congregações possuíam ministros de tal autoridade pessoal e prestígio que, sua posição de liderança raramente era desafiada pelo poder da fraternidade.


East Windsor AtualmenteDesta forma, nesta diferente época de decisão, Timothy foi, como outros ministros, forçado a enfatizar a prerrogativa de líder, estando já avançado em East Windsor, quanto a esse particular. Na verdade, estava sendo introduzido uma espécie de autoritarismo clerical, algo que não era visto 50 anos antes.


Em 1630 as paróquias haviam sofrido juntas em razão de sua fé. Neste ano, Connecticut possuía somente 4 cidades e cerca de 800 pessoas. Mas no fim deste mesmo século, as cidades de Connecticut tinham crescido para 30 e a população aumentado para 30 mil. Nos trinta anos que se seguiram, anos da juventude de Jonathan, o crescimento populacional foi notavelmente rápido.


Este crescimento populacional trouxe, como conseqüência, a queda do padrão da membresia nas paróquias e muitos não tinham ligação com igrejas. A espiritualidade dos membros caiu consideravelmente e, tinham uma atitude diferente com relação à autoridade dos pastores. É muito interessante notar o quanto um cristianismo meramente nominal na membresia das igrejas afeta o respeito à autoridade dos líderes espirituais. Consequentemente a idéia de controle popular versus comando de uma elite já estava começando a encontrar suporte nas igrejas. Não se tinha uma visão espiritual do ofício do pastor, nem da postura dos membros, agora havia um ponto de vista diferente de ambos. E os líderes ministeriais acreditavam que esse declínio espiritual fez aumentar a dúvida da competência da congregação local para o governo em seus próprios assuntos.


O resultado foi que, por um lado, não se desejava uma democracia popular e, por outro lado, não se queria um prelado independente, não obstante, dando espaço para o presbiterianismo. Daí, começaria a se formar uma espécie de associação, onde ministros eram encarregados do exercício de supervisão mútua da Igreja como um todo.


Em meio a todos esses conflitos, Edwards permanecia observando, aprendendo, crescendo e, em sua juventude, vivia ocasiões que contribuiriam para sua futura formação. Esses problemas fundamentais eram profundos e, na questão do governo da Igreja, muitas vezes os próprios ministros eram parte do problema. Nas palavras de Richard Webster: “Uma vasta mudança era visível nas igrejas de Nova Inglaterra: A disciplina era relaxada, a doutrina era diluída, e a pregação era dócil e superficial“.


Mas essa condição extrema não era universal. Além de Jonathan Edwards não ser de conflitos paroquiais, em East Windsor, tanto na Igreja como no lar, ele experimentou um pouco do genuíno avivamento da religião. Havia ocasiões em que a presença de Deus era especialmente evidente na comunidade. Quando o senso da eternidade se enfraquecia, de repente uma extraordinária seriedade espiritual penetrava a paróquia como um todo.


Numerosos cristãos nominais passavam da morte para a vida, enquanto outros cristãos regozijavam-se na completa segurança da fé. No final de sua vida, escrevendo sobre essa época, Edwards disse: “A Paróquia de meu estimado pai tinha, em ocasiões, sido um lugar bastante favorecido com as misericórdias dessa natureza, no lado oeste da Nova Inglaterra, exceto Northampton, que experimentou 4 ou 5 derramamentos do Espírito para um despertamento geral do povo“.


Jonathan viveu 2 períodos de reavivamento em sua infância. Falando de sua experiência pessoal ele escreve: “Eu tive uma diversidade de inquietações e exercícios acerca de minha alma na infância; mas tive duas ocasiões mais notáveis de despertamento, antes de encontrar aquela mudança pela qual fui conduzido, para estas novas disposições, este novo senso das coisas, que tenho tido desde então. O primeiro momento foi quando eu era menino, alguns anos antes de ter ido para o colégio, em uma ocasião de despertamento na congregação de meu pai. Fui então muitíssimo afetado por muitos meses, e inquietado acerca das coisas da religião, e da salvação da minha alma… experimentei e não conhecia aquele tipo de deleite na religião.

Minha mente estava muito engajada nisto, tinha muita satisfação em minha própria justiça, e foi meu prazer abundar nos deveres religiosos. Eu e alguns dos meus colegas de escola nos unimos e juntos construímos uma barraca em um brejo, em um sítio bem retirado, para ser um lugar de oração. E, além disso, eu tinha um local particular e secreto propriamente meu na floresta, onde eu usava para retirar-me, e fui durante um tempo muito afetado...”.


Em outubro de 1716, antes de completar seus 13 anos, Jonathan Edwards ingressou no Yale College. O Dr. Alderi comenta que, “aos treze anos ele já havia adquirido um respeitável conhecimento de grego e de hebraico“. Timothy, seu pai, havia estudado no Harvard College. E antes de 1701 o Harvard College era o campo de treinamento para os estudantes da colônia. A visão dos fundadores era que cada um pudesse considerar, como principal fim de sua vida e estudos, conhecer a Deus em Jesus Cristo. Mas Timothy já havia experimentado na prática a atmosfera deste colégio e teve suas razões de ter medo, pois de fato, a vida intelectual da Inglaterra seria afetada pelo crescimento da secularização. Apesar do Collegiate School of Connecticut ter sido freqüente matéria de debate no lar de Jonathan Edwards, era uma velha escola de tradição puritana, onde ele certamente ficaria seguro das influências da secularização.


Yale College quando Edwards tinha 12 anosOs fundadores da escola não negavam estas verdades, ensinando a teologia prática do sabath, apoiando-se na doutrina da confissão de Westminster, em todos os caminhos com a melhor discrição e em todo tempo com esmerado empenho na educação dos estudantes. E tudo isso para promover o poder e a pureza da religião e a melhor edificação das igrejas da Nova Inglaterra. Portanto, Timothy não hesitou em prezar por Yale (pois o Colegiate School of Connecticut mais tarde seria chamada Yale College).


Yale University - New HavenNa época em que Edwards estava preparado para começar seus estudos, a escola ainda não tinha lugar específico nem definido. A escola funcionava de acordo com a localização dos tutores, até encontrarem um lugar permanente. Houve vigorosa disputa pela honra de receber as instalações do colégio. Não se sabia se em Saybrook ou New Haven, se em Wethersfield ou Hartford. Então no dia 12 de setembro de 1716, quando o nome de Jonathan Edwards estava entre os primeiranistas e a escola funcionava em New Haven, os administradores se encontraram em Saybrook a fim de determinarem o local das instalações. No entanto a conclusão ainda não seria tomada e Edwards, com mais nove primeiranistas da cidade do rio Connecticut, uniram-se a um grupo já estabelecido em Wethersfield. Nesta época estava em voga a “nova filosofia” e nomes como o de Descartes, Boyle, Locke e Newton. E era dito que isso traria uma corrupção da pura religião. Aos 13 anos de idade Jonathan leria a famosa obra de John LockeEnsaio Sobre o Entendimento Humano” – que exerceria uma poderosa influência sobre ele. Locke foi um filósofo inglês cujas idéias exerceram grande influência sobre a política e a filosofia.


Jonathan Edwards, entre outras coisas, se tornaria um grande metafísico. James Wardsmith afirmou que somente Jonathan, dentre todos os teólogos norte-americanos dos séculos XVIII e XIX, entendia o espírito mais profundo bem como o conteúdo superficial da nova ciência associada com Newton e Locke. Segundo Edwards, descobrir as razões das coisas na filosofia natural é descobrir a proporção da atuação de Deus. Manoel Canuto disse que Edwards: “Nas afirmações éticas, zelava contra a nova filosofia moral do iluminismo do século XVIII que afirmava serem os seres humanos possuidores de senso natural que, se fosse cultivado pela educação, poderia mostrar o caminho para uma vida virtuosa”. Mas sobre isso Jonathan reagiria dizendo que a vida verdadeira não poderia existir sem Deus e a revelação.


Este período foi marcado por crises acadêmicas que durariam até a assembléia geral de Connecticut, em outubro de 1718. Ali foram tomadas medidas conciliatórias que fizeram com que Edwards e outros se unissem a classe de terceiro ano em New Haven também em outubro.


Pouco subsiste sobre a vida de Jonathan Edwards nesta época, exceto uma carta, escrita por ele, a sua irmã Mary que estava em Northampton. A expectativa desta carta fora satisfeita com a remoção de todos os estudantes de Wethersfield para New Haven no início do verão de 1719.


No Yale College a instrução na doutrina cristã fazia parte do curriculum semanal. Jony Wollebius e Willian Ames eram autores chaves da literatura e a Assembléia de Westminster e o breve catecismo eram recitados cada sábado à noite. Quando Edwards tinha 16 anos, em 1719, recebeu 16 honras, sendo ele um estudante ainda não graduado. E entre aqueles que receberam o Bacharelado em Artes, seu nome estava em destaque. Após este período, ele continuou seus estudos por mais dois anos em New Haven, para mais tarde receber, também com destaque, a graduação de Mestre em Artes.


Foi neste tempo, aproximadamente em maio ou abril de 1721 que Edwards experimentou sua conversão. Sobre isso ele destaca: “O primeiro momento que eu me lembro daquele tipo de deleite interior em Deus e nas coisas divinas, e, desde então tenho experimentado isso, foi na leitura daquelas palavras de 1Timóteo 1:17. “Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém.” Na medida em que eu lia as palavras, veio em minha alma, como se estivesse derramado por toda ela, um senso da glória do Ser Divino; um novo senso, muito diferente de qualquer coisa que eu tenha experimentado antes. Nunca outras palavras da Bíblia pareceram iguais a estas palavras. Eu pensei comigo mesmo, quão excelente aquele Ser era e quão feliz eu deveria ser se eu pudesse desfrutar daquele Deus e ser levado para Deus no Céu e ser de fato envolvido por Ele. Eu continuei dizendo e, de fato, cantando estas palavras da Bíblia para mim mesmo; e fui orar, orar a Deus para que eu pudesse desfrutá-Lo, e orei de uma maneira realmente diferente daquela que costumava fazer, com um novo tipo de afeição.


Mas nunca veio ao meu pensamento que aquilo era algo espiritual, ou de uma maneira salvadora. A partir daquele tempo, eu comecei a ter um novo tipo de compreensão e idéias a respeito de Cristo, e da obra da redenção e do glorioso caminho da salvação através Dele. Eu tinha um doce senso interior destas coisas, que, às vezes, vinham ao meu coração; e a minha alma era conduzida em agradáveis vistas e contemplações delas. E a minha mente estava grandemente engajada em gastar meu tempo em ler e meditar sobre Cristo; e a beleza e a excelência de Sua pessoa, e o amável caminho da salvação, pela livre graça. Nele… Este senso que eu tinha das coisas divinas freqüentemente e repentinamente se inflamava, como uma doce chama em meu coração; um ardor de alma, que eu não sei como expressar” (1617).


Edwards concluiu sua tese de mestrado no verão de 1723 e no outono recebeu seu título de Mestre em Artes pelo Yale College




DO MINISTÉRIO À MORTE


Seu ministério pode ser dividido em 3 partes. Primeiramente Edwards teve uma experiência de 8 meses como pastor em New York. Em segundo lugar vem o pastorado da igreja de seu avô em Northampton em 1726, na qual permaneceria os próximos 23 anos de seu ministério. E em terceiro lugar Stockbridge, uma região remota da colônia de Massachussets, onde trabalhou como pastor dos colonos e missionário entre os índios.


De fato uma grande mudança de interesses ocorreu na vida de Edwards no tempo de sua conversão. E apesar de concluir e receber o grau de mestrado só em 1723, em 1722 ele já estava licenciado para o trabalho do ministério. Na ocasião ele tinha 19 anos.


Veio então uma solicitação pedindo um pregador para suprir uma nova congregação em New York. Foi recomendado exatamente o nome de Edwards. O convite foi aceito e no início de agosto de 1722 ele começou a pregar regularmente nesta congregação de New York.


O que ele mais queria era gozar a Palavra de Deus. Mais tarde ele escreveria: “Eu tinha então, e depois disso, o maior deleite nas Santas Escrituras e em alguns outros livros. Tempos depois, a leitura de cada palavra parecia tocar meu coração. Eu sentia harmonia entre algumas coisas em meu coração, doce e poderosamente. Então eu parecia ver muita luz exibida em cada sentença, como um refrescante alimento sendo comunicado, e não podia parar ao longo da leitura, porque possuía uma visão de admiração; residindo na extensão de uma sentença e cada sentença parecia admirável“.


Além de ser um tempo em que Edwards perseguiu vigorosamente a santidade, visto que foi neste período que desenvolveu suas resoluções, foi também um tempo em que deu início a uma série de escritos. Como seu pai mesmo o treinara desde muito cedo, ele pensava e estudava com a caneta na mão. Ali escreveu suas miscelâneas e breves análises científicas, seus primeiros sermões e suas resoluções. Em seus sermões ele trabalhava com a tríplice estrutura puritana de um sermão, que continha a explanação do texto, a doutrina e a aplicação. Desta época de fervor de Edwards por buscar as coisas de Deus, quando esteve em New York, ele registra em sua “Narrativa Pessoal“: “Muito freqüentemente procurei me retirar para um lugar solitário, às margens do rio Hudson, a alguma distância da cidade, para a contemplação das coisas divinas e secreta conversa com Deus, e tive horas de muita doçura. Às vezes eu e o senhor Smith caminhávamos juntos, para conversar sobre as coisas de Deus; a nossa conversa encaminhou-se muito para o avanço do Reino de Cristo no mundo, e a glória das coisas que o Senhor efetuaria por sua Igreja nos últimos tempos”.


Mas nesse tempo ele não ficou livre das dificuldades. Em seu diário ele fala sobre os dias em que sentiu frieza e a queda daquele calor espiritual. Porquanto havia dificuldades nesta congregação. Ela fora formada em 1716 e seu primeiro pastor tinha sido o reverendo James Anderson. Por motivo de crescimento eles haviam construído na Wall Street, perto da Broadway, em 1719. Mas o fato era que Jonathan Edwards deixaria esta congregação em 1723, depois de 8 meses de trabalho. Acerca disso ele escreve: “Considerando as circunstâncias da sociedade e a vontade de meu Pai, parece mais provável que eu não continuarei aqui, então estou pronto a pensar que partirei na primavera“. Portanto por motivos de convicção Edwards deixou a igreja de New York e voltou para East Windsor em abril de 1723. E no verão daquele ano receberia convites de outras igrejas. Foi um período de intenso estudo e crescimento intelectual, dando particular atenção para a conclusão de sua tese de mestrado. E em setembro de 1723 recebeu seu grau de Mestre em Artes e em 1724 foi eleito tutor em Yale. A respeito disso ele escreve: “Agora percebo plenamente que estou debaixo de grande obrigação para amar e honrar meus pais. Tenho grande razão para crer que estes conselhos e educação têm sido minhas realizações”.


Foi quando Jonathan atuou como professor assistente no Yale por dois anos. Iain Murray, falando a respeito desse período disse que com a idade de 22 anos Edwards já era maduro para ser dogmático.


Então em 1726, aos 23 anos de idade, ele passou a trabalhar ao lado de seu avô, Solomon Stoddard (1643-1729), como pastor assistente. Esta grande e elegante Igreja Congregacional ficava em Northampton, estado de New Hampshire, e seu avô, o idoso Solomon Stoddard, grande homem de vida eclesiástica do Vale de Connecticut, que com 83 anos de idade, vinha ministrando. Sem exagero pode-se considerar quase uma vida, sendo, pois, um homem muito conhecido e influente em Northampton, cidade de aproximadamente 2000 habitantes. Além disso, Stoddard era o ministro mais velho da província.. A maioria dos membros havia crescido sob o seu ministério. E tirando a congregação de Boston, a sua igreja era a mais conhecida e influente da Nova Inglaterra. Houve época em que esta igreja chegou a ter 620 membros.


O circulo de líderes daquela igreja via a necessidade de alguém para ajudá-lo e em abril de 1725 eles resolveram procurar uma pessoa para assisti-lo em seu trabalho. As ocasionais indisposições de Stoddard já tinham trazido até o púlpito de Northampton a presença de alguns ministros visitantes, um deles seu filho Antony, o mais freqüente e também pastor de Woodbury, Connecticut.


Dos dois filhos do velho pastor que atingiram a fase adulta, somente Antony interessou-se pelo ministério, mas suas cinco filhas, incluindo Esther, a mãe de Edwards, todas casaram com ministros, e alguns dos filhos delas já eram também ministros. A mais proeminente família dos que se uniram aos Stoddard foram os Willians. Cristina Stoddard, 4 anos mais nova do que Esther, havia casado com o reverendo William Willians, um dos mais conhecidos pastores do oeste de Massachussets. O fruto do casamento anterior do reverendo Willians, fora Elisha que havia lecionado para Edwards no Yale. E os dois filhos de Cristian Stoddard e William Willians eram figuras públicas. Eram Solomon (1700-1776) que seguiu seu pai no ministério em Israel (1709-1788) que mais tarde seria o governador de Hampshire. Solomon Willians era a mais aproximada possibilidade de suceder seu avô, Solomon Stoddard. Contudo a Igreja Congregacional de Northampton atentou em trazer Jonathan Edwards, mas apenas para servir de assistente e aparentemente a um período de experiência estipulado. Ele certamente sentiu o peso da responsabilidade. Edwards admirava seu avô. Certa vez ele disse: “Meu avô foi um grande homem, de forte poder mental, de grande graça e autoridade, de um magistral aspecto, linguagem e comportamento“. Neste período inicial do ministério de Edwards em Northampton o que sobressai é o seu casamento com Sarah Pierrepont. Eles se casaram no dia 28 de julho de 1727 em New Haven. Como observa Samuel Miller: “Talvez nenhum acontecimento da vida de Edwards tivesse maior conexão com seu conforto posterior do que seu casamento“. A primeira vez que Edwards viu sua futura esposa provavelmente tenha sido em uma reunião da primeira Igreja de New Haven. Pierrepont era um nome distinto. James Pierrepont, pai de Sarah, tinha sido ministro da congregação de New Haven de 1685 até sua morte em 1714, era um dos líderes de Connecticut e sua atuação inclui ainda uma proeminente parte na fundação do Yale College.


Sarah tinha 4 anos quando seu pai morreu e com 8 anos ela conheceu a vida e o poder da religião, sendo um raro exemplo de jovem piedosa. Sobre ela Edwards registraria: “Ela possuía uma estranha doçura em sua mente, e singular pureza em suas afeições; é por demais reta e consciente em toda sua conduta; e você não pode persuadi-la a fazer algo errado ou pecaminoso… Ela é de maravilhosa doçura, e de uma mental benevolência universal. Ela vai de um lugar para o outro cantando suavemente. E parece ser sempre cheia de gozo e prazer e ninguém sabe por quê. Ela ama estar sozinha caminhando nos campos e bosques, e parece haver sempre alguém invisível conversando com ela”.


A mãe de Sarah, Mary Pierrepont, era neta do famoso ministro Thomas Hooker e o lar em que Sarah havia nascido, no em 9 de Janeiro de 1710, era rico em privilégios espirituais.


Havia júbilo em Northampton no verão de 1727 quando Edwards retornou com sua recente esposa de 17 anos de idade. A congregação já havia estabelecido seu salário, o que possibilitou a eles conduzirem-se ao lar que seria o local dos mais felizes anos de suas vidas. Este salário fez com que Edwards refletisse sobre a importância do ministério cristão, não por causa da quantia ou do rendimento em si, mas pela responsabilidade que ele tinha diante das pessoas e principalmente diante de Deus.


Em agosto de 1728 nasceria Sarah, a primeira filha do casal. Acerca disso ele registrou: “Minha filha Sarah nasceu no dia do Senhor, entre as 2 e 3 horas da tarde“. Em fevereiro do ano seguinte, em 1729, o velho e venerado pastor de Northampton, Solomon Stoddard morreu e foi lamentado em toda Nova Inglaterra. O sermão fúnebre foi pregado em Northampton pelo reverendo William Willians, genro do falecido.


Meses antes da morte de seu avô, todas as pregações e responsabilidades pastorais já haviam caído sobre Edwards. Ele tinha que preparar 3 sermões por semana para pessoas bem instruídas e que se acostumaram com um ótimo e renomado ministro e conhecedor de sua congregação. Para suas tarefas Jonathan precisava de cada hora que podia achar. E naturalmente experimentou mais dificuldades nas preparações dos sermões nos primeiros anos do que posteriormente.


Timothy Edwards, seu pai, escreveu para uma de suas irmãs em 12 de setembro do mesmo ano, dizendo que “o povo de Northampton parece ter um grande amor e respeito por ele...” E pelos próximos 21 anos ele seria o único pastor daquela igreja.


Em 1730 Jonathan Edwards iniciou um sermão com as seguintes palavras: “Esta é a maneira de Deus: Antes que Ele confira algum sinal de misericórdia sobre o povo, primeiro Ele prepara-o para isso...” Estas palavras servem de ilustração do que aconteceria com ele durante os próximos anos. E de fato ele estava sendo preparado para algo maior. Suas convicções e afeições estavam sendo preparadas para o que viria. Edwards experimentou fortes convicções. Ele registra: “Desde que vim para esta cidade, tenho tido um doce conforto em Deus, na visão de suas gloriosas perfeições e a excelência de Jesus Cristo. Deus tem me mostrado seu glorioso e amável ser, direcionando-me a consideração de sua santidade. A santidade de Deus sempre tem me mostrado a amabilidade de todos os Seus atributos… e tenho amado as doutrinas do evangelho; elas têm sido para minha alma o gozar de pastos verdejantes. O evangelho tem parecido a mim o mais rico tesouro; o tesouro que eu mais tenho desejado, o maior que pode habitar ricamente em mim. O caminho da salvação por Cristo tem se revelado, em geral, glorioso e excelente, o mais prazeroso e o mais bem-aventurado. Tem parecido a mim que arruinaria o céu, em grande medida, recebê-lo através de outro caminho“.


Foi uma época marcada pela intensa convicção de pecado, semelhante ao personagem criado pela alegoria de John Bunyan, posto ser o peregrino alguém que saíra da cidade da destruição rumo à cidade celestial, passando pelo vale da humilhação.




E sob sua poderosa pregação durante o período da década de 1730 o Espírito de Deus foi gerando na congregação uma crescente sensibilidade para com o pecado e um desejo de ouvir o conselho das Escrituras. Edwards escreve sobre a congregação daquela época, mais precisamente um pouco antes dessa crescente sensibilidade, em 1729: “A maior parte parecia estar insensível, naquela época, para com a religião, e preocupada em outros cuidados e projetos. Logo depois da morte de meu avô, a época parecia ser de extrema indiferença para com a religião. A licenciosidade, por alguns anos, prevaleceu entre a juventude da cidade; vários deles gostavam muito de andar à noite, freqüentar a taverna, e praticavam coisas impuras, nas quais alguns, por seu exemplo, corrompiam excessivamente aos outros. Era costume, com muita freqüência, se ajuntarem, para reuniões de ambos os sexos para brincadeiras e gargalhadas, que eles chamavam de diversão; e eles muitas vezes gastavam a maior parte das noites nessas brincadeiras, sem se preocupar com alguma ordem nas famílias às quais pertenciam: e, de fato, o governo familiar falhou muito na cidade. Tornou-se muito comum, para muitos dos nossos jovens, serem indecentes nas suas carruagens ao ir para a reunião, o que teria prevalecido se meu avô, mesmo na sua idade, (ainda que ele tenha retido os seus poderes até o fim) não tivesse sido capaz de observá-los. Tem prevalecido um espírito de contenda entre dois partidos, nos quais por muitos anos eles têm estado divididos; tendo ciúme um do outro, e preparados para se oporem mutuamente em todos os negócios públicos. Muitos dos adultos da congregação foram levados pela busca da riqueza e propriedades, e não pela busca de Deus e de Seu Reino. Exteriormente eles pareciam respeitáveis e ortodoxos, mas interiormente lhes faltava a religião do coração.”Este assunto, a religião do coração, se tornaria o tema principal nos escritos de Edwards, algo que ele já viera observando como necessidade de muitos de sua congregação. Como bem colocou Richard Lovalace: “Se eles tivessem tido drogas, eles as teriam usado,” pois tal era o estado espiritual daquela igreja.


Seus sermões sobre a justificação pela fé marcaram o começo do grande despertamento. Isso fez com que de fato seus ouvintes percebessem as verdades das Santas Escrituras e sentissem que toda boca ficará fechada no dia do juízo, pois como Jonathan mesmo pregou, não há coisa alguma que, por um momento, evite que o pecador caia no inferno, senão o bel-prazer de Deus.


Exatamente 8 anos após sua chegada na cidade, Edwards experimentou seu primeiro período de incomum poder espiritual. “Foi no final de dezembro de 1734“, disse ele em sua Fiel Narrativa da Surpreendente Obra de Deus “que o Espírito de Deus veio extraordinariamente e maravilhosamente trabalhar entre nós”.


Ele disse que: “Um grande e sério interesse acerca das coisas da religião, e da Palavra eterna, tornou-se universal em todas as partes da cidade e entre pessoas de todos os graus e idades. Todos falavam mais a respeito das coisas espirituais e eternas… toda a conversação em todas as companhias e em todas as ocasiões, eram sobre essas coisas somente, exceto a condução normal dos negócios seculares das pessoas, visto ser necessário…”.


Grandes mudanças eram vistas nos encontros da igreja, e sobre isso ele escreve: “Nossas assembléias públicas eram então lindas: a congregação era ativa nos serviços a Deus, cada um era zelosamente atento à adoração pública, cada ouvinte ávido para “beber” das palavras dos ministros, da forma que vinham de sua boca; a assembléia em geral estava, de tempo em tempo, em silêncio enquanto a Palavra era pregada; alguns chorando com tristeza e angústia, outros com alegria e amor e outros com piedade e interesse pelas almas de seus vizinhos.”.


Nossos louvores públicos eram então grandemente animados, Deus era servido em nossos cânticos de Salmos e em grande medida na beleza de Sua santidade… pessoas, após sua conversão, falavam das coisas da religião como algo novo para elas: que a pregação era algo novo; parecia que nunca tinham visto antes; que a Bíblia era um novo livro; descobriam novos capítulos, novos Salmos, novas histórias, porque eles viam-se sob uma nova luz… lendo o Novo Testamento e interessando-se pelo sacrifício de Cristo pelos pecadores, uma velhinha de 70 anos parecia admirada com o que lia, o quanto era real e muito maravilhoso, mas completamente novo para ela…”. Na avaliação de Edwards, essas pessoas tinham este comportamento, apesar de estarem sob o poderoso ministério de seu avô, ou seja, não eram novas na igreja, contudo todas as coisas pareciam novas e empolgantes. Mas o período de avivamento chegaria ao ápice em 1740, com a vinda de George Whitefield, o famoso pregador que veio da Inglaterra. Ele chegaria à Filadélfia em 1739. Então a pregação de Edwards e o trabalho itinerante de Whitefield foram instrumentos de Deus para dar prosseguimento ao avivamento. E este período de 1740 ficou conhecido na história como o “Grande Despertamento” ou “Grande Avivamento


Os dois foram grandes amigos. E durante o seu trabalho itinerante em 1739, em New York, Whitefield escreveu para Edwards e iniciou assim sua carta: “Nobre senhor, a notícia de seu sincero amor para com nosso amado Senhor Jesus, encorajou-me a escrever esta carta. Alegro-me pelas grandes coisas que Deus tem feito por muitas almas em Northampton. Espero, querendo Deus, ir e ver-lhes em poucos meses”. O período ministerial de Jonathan que se seguiu ao assim chamado Grande Despertamento foi marcado pela divisão de pensamentos a respeito do reavivamento. Foi quando ele deu particular atenção à defesa do reavivamento. Certamente ele admitiu que havia imprudências e irregularidades, mas disse que imprudências e irregularidades não provarão o fato de um trabalho ser ou não do Espírito de Deus. Isso fez com que ele produzisse uma obra singular acerca do assunto, denominada de Religious Affections (Tratado sobre as Afeições religiosas, publicado no Brasil pela Editora PES sob o título A Genuína Experiência Espiritual).


E o período final do ministério de Edwards em Northampton culminou com sua saída em 1750, depois de 23 anos de ministério ali. Ele foi despedido de sua Igreja e, segundo o Dr. Alderi, a principal razão foi “sua insistência de que somente pessoas convertidas participassem da Ceia do Senhor, em contraste com a prática anterior do seu avô.”.


Nas palavras de J. I. Packer: “Foi desligado do pastorado por insistir em restaurar a exigência, de ser feita uma confissão de fé pessoal como condição indispensável para que alguém se tornasse membro em comunhão com a Igreja“.


Segundo o Dr. Martyn Lloyd-Jones: “Ele não batizava os filhos de certas pessoas e insistia num certo padrão de conduta e comportamento nos que deveriam ser admitidos à Ceia do Senhor“. Jonathan Edwards foi literalmente despejado de sua Igreja por uma votação de 230 votos contra 23. E O autor de um artigo diz que: “Edwards teve que deixar a Igreja por não abrir mão do princípio de que somente membros professos poderiam ser admitidos à Ceia do Senhor. Era costume daquela Igreja conceder o privilégio de participar da Ceia a qualquer pessoa que desejasse, mesmo que não fosse membro daquela Igreja“.


Estas são suas últimas palavras de seu sermão de despedida: “Ao buscardes o futuro progresso dessa sociedade, é de maior importância que eviteis a contenda. Um povo contencioso é um povo miserável. As contendas que têm surgido entre nós desde que tenho sido vosso pastor tem sido o fardo mais pesado que tenho carregado no decurso do meu ministério – não somente as contendas que tendes tido comigo, mas aquelas que tendes tido uns com os outros por questão de terras e outros interesses. Eu já sabia muito bem que a contenda, o espírito inflamado, a maledicência e coisas semelhantes, eram frontalmente contrárias ao espírito do cristianismo e têm concorrido, de modo todo peculiar, para afastar o Espírito de Deus de um povo, a tornar sem efeito todos os seus meios de graça, além de destruir o conforto e o bem-estar temporal de cada um. Permita-me que vos exorte com todo o vigor, que, daqui para frente, todas as vezes que vos empenhardes na busca do vosso bem futuro, que vigieis atentamente contra um espírito contencioso: “se quiserdes ver dias bons, buscai a paz e segui-a”. 2 Pe 3:10-11. “Permita Deus que a última contenda acerca da Comunhão Cristã, que tem sido a maior de todas, seja também a última de todas. Neste momento, quando estou pregando o meu sermão de despedida; possa dizer-vos o que o Apóstolo Paulo disse aos corínthios: “Finalmente irmãos, adeus, sede perfeitos, sede de um mesmo parecer, vivei em paz e o Deus de Paz seja convosco”. 2 Co 13:11″. No ano que se seguiu foi para um posto missionário perto de Stockbridge, uma região remota da colônia de Massachussets onde trabalhou como pastor dos colonos e missionário aos índios. O Dr. Martyn Lloyd-Jones comenta que: “Do mesmo modo como o aprisionamento de John Bunyan por 12 anos em Bedford deu-nos os seus clássicos, assim creio eu, esse isolamento de Jonathan Edwards foi o meio pelo qual nos deu algum de seus clássicos“.


De lá foi eleito e chamado para ser o novo presidente do College of New Jersey, agora conhecido como Princeton University. Em fevereiro de 1758 viajou para lá a fim de ocupar o seu novo cargo. Mas lá chegando tomou a vacina contra varíola, por ter se oferecido como voluntário para o teste da mesma. A própria inoculação transmitiu-lhe uma febre e ele morreu na tarde do dia 22 de março de 1758, entre as 2 e 3 horas, com 54 anos de idade. Em um jornal da Filadélfia de 28 de março ficou assim registrado: “Nesta quarta-feira do dia 22, partiu desta vida, na Nova Inglaterra o Sr. Jonathan Edwards (antes de Northampton, Nova Inglaterra, mas ultimamente em Stockbridge), presidente do College of New Jersey; pessoa de grande eminência; tanto com respeito à capacidade, cultura, piedade, e utilidade; um ótimo estudioso, e grande teólogo“…




O TEÓLOGO PURITANO E PREGADOR CONGREGACIONAL


Como pregador Congregacional, Jonathan Edwards foi um autêntico teólogo puritano. E segundo J. I. Packer: “Não é exagero afirmar que o puritanismo é o que Edwards foi. Homens como Hooker, Shepard, Cotton e Davenpont, pais fundadores da Nova Inglaterra (Estados Unidos) e teólogos puritanos foram relembrados em Edwards, pois todas as suas raízes estavam arraigadas na teologia puritana e na postura desses homens“.


Em sua devoção à Bíblia Edwards se mostrava um autêntico puritano, porque lutou sua vida toda para entendê-la e aplicá-la. Sua perspicácia exegética é comparável a de Calvino, Owen, Hodge ou Warfield. Com a Bíblia alimentava-se, com a Bíblia nutria seu rebanho.


Quanto às suas convicções doutrinárias também foi um autêntico puritano. Frente ao racionalismo que estava corroendo a herança puritana em sua época, firmou-se como um sobrenaturalista calvinista. E sendo o arminianismo uma posição em moda em sua época, da mesma forma que os puritanos tinham se oposto ao arminianismo de seus dias, por causa das implicações religiosas, Edwards se opôs fortemente a esse ensino. Ele argumentava que o arminianismo, em qualquer forma (que afirme que a convicção sobre a verdade espiritual é obra de Deus, mas que a conversão é obra do próprio indivíduo) golpeia profundamente a verdadeira piedade. Isso reduz Deus a menos que Deus, está finalizando o caminho para o deísmo e é meio caminho andado para o ateísmo. Destrói a devida reverência a Deus, porque nega a nossa total dependência Dele. Promove o orgulho humano, apresentando o ato decisivo de nossa salvação como se fosse feito tudo por nós mesmos. Por conseguinte introduz um princípio de auto-dependência no cristianismo. Isso faz com que a religião cristã se torne irreligiosa, alicerçando uma mera forma de piedade sobre a negação de sua eficácia. Todos esses eram pontos puritanos.


Edwards também foi um autêntico puritano em sua posição sobre a natureza da piedade cristã. A piedade cristã para ele era uma questão de dar glória ao Criador, através de uma singela dependência e grata e humilde obediência a Ele. Significa reconhecer nossa total e completa dependência de Deus, na vida e saúde, na graça e na glória, enfim em tudo. É amá-lO, louvá-lO e servi-lO por tudo o que nos tem dado gratuitamente em nosso Senhor Jesus Cristo.


Em um sermão sobre 1 Co 1:19-21 com o título de: “Deus é glorificado na dependência do homem” ele diz: “Sejamos exortados a engrandecer somente a Deus, atribuindo-lhe toda a glória da redenção. Esforcemo-nos para obter uma sensibilidade de nossa grande dependência de Deus… a mortificar qualquer tendência para a auto-dependência e a justiça própria. O homem naturalmente, é muitíssimo inclinado a exaltar a si mesmo e a depender de seu próprio poder ou bondade… Mas essa doutrina deveria ensinar-nos a engrandecer somente a Deus, mediante a confiança, a dependência e o louvor. “Aquele que gloria-se, glorie-se no Senhor”. Tem algum homem a esperança de que é convertido e santificado… que seus pecados lhe foram perdoados, e que foi recebido no favor divino e exaltado à honra e a bem-aventurança de ser filho de Deus, e um herdeiro da vida eterna? Então que dê a Deus toda a glória, pois só Deus pôde fazê-lo diferir do pior dos homens neste mundo ou dos mais miseráveis condenados ao inferno… Algum homem destaca-se na santidade, e é abundante em boas obras? Então que nada tome de glória para si mesmo, mas atribua tudo Àquele de que somos “feitura… criados em Cristo Jesus para as boas obras“.


Linha da vida de Jonathan EdwardsA dependência do homem a um Deus Todo-Poderoso e Soberanamente Livre era o princípio orientador de sua teologia. Por outro lado ele não tolerava nenhuma espécie de crença fácil, ou moralismo, ou qualquer formalismo apenas. Para ele a piedade é um dom sobrenatural, de caráter dinâmico e experimental em suas manifestações. Trata-se de uma comunhão concreta com Deus, por meio de Seu Filho Jesus Cristo, realizada pelo Espírito Santo e expressa através de atividades e emoções. Segundo Edwards a raiz da piedade é uma forte convicção sobre a realidade gloriosa das coisas divinas e celestes do evangelho. E isso é mais do que a concepção intelectual das noções teológicas ou a aceitação das verdades cristãs, sob a pressão da constrangedora comunidade. Mas vêm de uma direta iluminação divina, que acompanha a Palavra de Deus, tanto falada como escrita. Edwards explicou isso em 1734, em seu sermão sobre Mt 16:17 com o título de “Uma Luz Divina e Sobrenatural Conferida à Alma”: “Essa luz é tal que influencia eficazmente a tendência e modifica a natureza da alma. Assemelha nossa natureza à natureza divina… Esse conhecimento nos desliga do mundo e eleva nossa inclinação quanto às coisas celestes. Faz o coração voltar-se para Deus, como a fonte do bem, a fim de que O escolhamos como nossa única porção. Essa luz, e somente ela, leva a alma a aproximar-se de Cristo e ser salva; molda o coração segundo o Evangelho, modifica sua inimizade e oposição ao plano de salvação ali revelado; leva o coração a aceitar boas-novas, aderindo à revelação de Cristo como nosso Salvador, fazendo a alma toda concordar e entrar em sintonia quanto a isso… apegando-se com toda disposição e afinidade, e dispõe eficazmente a alma para que se dedique totalmente a Cristo… Quando atinge o fundo do coração e muda a natureza, assim também inclina eficazmente à obediência total. Mostra que Deus é digno de ser obedecido e servido. Atrai o coração a um amor sincero a Deus… e convence da realidade daquelas gloriosas recompensas que Deus tem prometido aos que lhe obedecem”.


Dessa renovação do coração, pela luz vivificadora de Deus, derivam as boas obras e as santas emoções: “Como as emoções não só necessariamente pertencem à natureza humana, mas também são uma importantíssima parte dela, assim (visto que a regeneração renova todo o homem) as santas emoções não só pertencem à verdadeira religião, mas são também uma importantíssima parte da religião. Visto que a verdadeira religião é prática e que Deus constituiu a natureza humana de tal modo que as emoções servem de molas impulsionadoras dos atos dos homens, isso também nos mostra que a verdadeira religião deve constituir, em grande parte, de emoções”.


É exatamente aí que Edwards tanto se destaca. Ele começa a caracterizar as emoções verdadeiramente graciosas e santas, fazendo isso com um discernimento e perspicácia pastoral e teológica que garantiu, para seus escritos, um lugar indisputável entre os clássicos de todos os tempos. De fato Edwards esclareceu, aprofundou e levou a frente o conceito puritano da religião experimental. Insistia que o cristianismo vivo e verdadeiro é uma religião tanto na mente como no coração, e se esmerou em mostrar como o coração deve envolver-se. Esse fora um interesse dos puritanos.


Como pregador de um púlpito congregacional foi realmente um autêntico puritano em sua abordagem da pregação. Com base em suas raízes, pregava com um alvo triplo: levar os homens a entenderem, sentirem e responderem à verdade do evangelho. Como os puritanos, seus sermões consistiam no método proposição, prova e aplicação. Em outras palavras, abertura, doutrina e aplicação. Edwards ocultava erudição, demonstrando simplicidade de estilo, preferindo uma clareza simples.


Costumava ler no púlpito seus sermões escritos, com voz constante e calma, evitando olhar para seus ouvintes enquanto falava e não buscou pregar da maneira que os puritanos se interessavam, de forma direta, autoritária e poderosa. Segundo ele o principal benefício obtido da pregação vem das impressões feitas sobre a mente no momento. Não dos efeitos que surgem mais tarde, mediante o lembrar daquilo que fora pregado.


Mas Edwards pregava com elevado grau de poder. Na verdade ele possuía um dom único de fazer as idéias adquirirem vida, através da precisão da exposição. Através de uma série de raciocínios, ele ia desdobrando uma exatidão lenta e suave, semi-hipnótica, capturando a atenção dos ouvintes sobre sucessivos desdobramentos da verdade.


Sua profunda reverência, por causa do seu temor a Deus, somava-se a esse poder compelidor do púlpito. O resultado era que as audiências ficavam sem resistir, nem esquecer. Enquanto penetrava as consciências com as antigas e claras verdades sobre o pecado e a salvação, Edwards fazia 2 horas parecerem 20 minutos. Hopkins, o seu primeiro biografo registrou: “As palavras dele por muitas vezes exibiam grande fervor interior, sem muito barulho e sem emoção externalizada, caindo com grande peso sobre as mentes de seus ouvintes; ele falava de modo a revelar as fortes emoções de seu próprio coração, as quais tendiam, de maneira natural e eficaz, a comover e a afetar outras pessoas”.


Mas por outro lado ele não se opunha ao fervor de pregadores como George Whitefield. Pelo contrário, em uma ocasião durante o avivamento de 1740, quando Whitefield e outros foram atacados pelos latifundiários que diziam que esse fervor era um lamentável lapso que tendia ao entusiasmo, uma fantasia fanática, Edwards defendeu-os. Segundo ele um modo extremamente emotivo de pregar sobre temas cristãos não tende a gerar falsas apreensões, mas uma maior compreensão deles, mais do que uma maneira moderada, monótona e indiferente de falar. Para ele a mente do povo precisa ser abastecida com informações, mas eles precisam ter os corações aquecidos também. De fato suas raízes congregacionais lhe dotaram com uma teologia autenticamente puritana e lhe encaminharam a uma pregação dotada de poder e exatidão




USANDO OS MEIOS DA GRAÇA

Aos 20 anos de idade Jonathan Edwards escreveu: “Dediquei-me solenemente a Deus e o fiz por escrito, entregando a mim mesmo e tudo o que me pertencia ao Senhor, para não ser mais meu em qualquer sentido, para não me comportar como alguém que tivesse direitos de forma alguma… travando assim, uma batalha contra o mundo, a carne e Satanás até o fim da vida“.


Jonathan foi criado em um lar muito piedoso. Foi influenciado grandemente pela vida e ministério de seu pai e pela piedade de sua mãe. Seu pai, Timothy e sua piedosa mãe, Esther oravam constantemente pelo único filho homem para que fosse cheio do Espírito Santo. Quando completou a idade de 7 anos presenciou um despertamento na Igreja de seu pai e assim, acostumou-se a orar sozinho, cinco vezes, todos os dias, e também chamava seus amiguinhos para orar com ele.


Mas apesar de ter sido criado em um lar muito piedoso, ele só veio a encontrar a paz e a certeza da fé salvadora entre abril e maio de 1721, aos 17 anos, durante o tempo em que permaneceu no Yale College para concluir o grau de mestrado. No entanto, durante o tempo em que estudou lá nunca deixou de estudar a Bíblia diariamente. Por toda sua vida ele alimentou-se com a Palavra de Deus. Segundo J. W. Chapman ele era, de fato, um santuário do Espírito Santo.


Aos 24 anos, quando se casou com a filha de um pastor, Sarah Pierrepont, encontrou nela uma mulher de rara espiritualidade e, como seu marido, entregue totalmente aos serviços do seu Deus. Eles gostavam de andar a cavalo ao cair da tarde, para poderem conversar e, antes de se recolherem, sempre tinham, juntos, os seus momentos devocionais.


Jonathan Edwards passava 13 horas por dia estudando e orando, mas, sempre metódico, todos os dias encontrava momentos para estar com a família. Ele entendia a real natureza da piedade e acreditava que Deus é engrandecido na pequenez e dependência do ser humano.


Como disse o Dr. Martyn Lloyd-Jones certa vez: “Edwards possuía uma excepcional espiritualidade. Ele sabia mais da religião experimental do que a maioria dos homens; e dava grande ênfase no coração”. Como costume que vinha desde a sua meninice Edwards gozava os privilégios das orações. Continuou também a freqüentar os lugares solitários das florestas onde podia ter comunhão com Deus.




E em seu leito de morte, partindo de suas experiências pessoais e dos seus grandes benefícios, recomendou a alguns candidatos ao ministério que se achavam ao lado de sua cama: “Breve chegará a hora em que nós também teremos que deixar os nossos tabernáculos terrestres, e ir ao nosso Senhor, que nos enviou para trabalhar em Sua seara, para lhe prestar contas de nós mesmos. Ah, como isso diz respeito a nós, de modo que corramos, não incertamente; lutemos, não como quem esmurra o ar! E o que ouvimos não nos animaria a pôr a nossa confiança em Deus, dEle buscando ajuda e assistência em nossa grande obra, e a dedicar-nos muito a buscar os influxos do seu Espírito e êxito em nossos labores pelo jejum e oração”? Esta foi a marca da piedade deixada pelo teólogo do coração de do intelecto.




SUAS RESOLUÇÕES


Suas ResoluçõesComo era comum aos jovens daquela época, Jonathan Edwards escreveu uma lista de resoluções, se comprometendo a viver uma vida teocêntrica em harmonia com os outros. Esta lista foi escrita em 1722 e ao longo dos anos, novas resoluções foram acrescentadas. A lista tem um total de 70 resoluções. Transcrevo aqui trechos resumidos, para mostrar a seriedade e firmeza com que ele encarava a vida:


Estando ciente de que eu sou incapaz de fazer qualquer coisa sem a ajuda de Deus, humildemente rogo que Ele, através de Sua graça, me capacite a fielmente cumprir estas resoluções enquanto elas estiverem dentro de Sua vontade em nome de Jesus Cristo.”


Resolvi que farei tudo aquilo que seja para a maior glória de Deus e para o meu próprio bem, proveito e agrado, durante toda a minha vida“.


Resolvi que farei tudo que sentir ser o meu dever e que traga benefícios para a humanidade em geral, não importando quantas ou quão grandes sejam as dificuldades que venha a enfrentar“.


Resolvi jamais desperdiçar um só momento de meu tempo, pelo contrário, sempre buscarei formas como torná-lo mais proveitoso possível“.


Resolvi jamais fazer alguma coisa que eu não faria se soubesse que estava vivendo a última hora da minha vida“.


Resolvi jamais cansar de buscar pessoas que precisem do meu apoio e da minha caridade“.


Resolvi jamais fazer alguma coisa por vingança“.


Resolvi manter vigilância constante sobre a alimentação e bebida, para ser sempre comedido“.


Resolvi jamais fazer alguma coisa que se eu visse outra pessoa fazendo, achasse justo motivo para repreendê-la ou menosprezá-la“.


Resolvi estudar as Escrituras tão firme, constante e freqüentemente, até ao ponto em que possa claramente perceber que estou continuamente crescendo no conhecimento da Palavra“.


Resolvi esforçar-me ao máximo para que cada semana possa me elevar na religião, e no exercício da graça além do nível que estava na semana anterior“.


Resolvi que irei me perguntar ao final de cada dia, semana, mês, ano, como e onde eu poderia ter feito melhor“.


Resolvi freqüentemente renovar a dedicação da minha vida a Deus que foi feita no batismo, e que foi solenemente renovada quando fui aceito na comunhão da Igreja; e que eu solenemente refaço neste dia 12 de janeiro de 1722“.


Resolvi, a partir deste momento e até a minha morte, jamais agir como se a minha vida me pertencesse, mas como sendo total e inteiramente de Deus“.
Resolvi que agirei da forma que achar que eu mesmo julgarei ter sido a melhor, e a mais prudente, quando estiver na vida futura”.


Resolvi jamais desistir, ou de qualquer maneira relaxar na minha luta contra minhas próprias fraquezas e corrupções, mesmo quando eu não veja sucesso nas minhas tentativas“.


Resolvi sempre refletir e depois das adversidades e das aflições, no que fui aperfeiçoado ou melhorado através das dificuldades que benefícios me vieram através delas, e o que poderia ter acontecido comigo caso tivesse agido de outra maneira“.


Edwards combinava o exercício mental e intelectual de um gigante com a piedade quase infantil, pois ele percebia Deus, tanto como infinitamente complexo, quanto como maravilhosamente simples. Essas resoluções, Edwards levou por toda a sua vida.






AS HERANÇAS DE JONATHAN EDWARDS


É notável que a vida de Jonathan Edwards é uma prova de que Deus não quer que desprezemos as faculdades intelectuais que Ele nos deu, mas que a desenvolvamos, sob a direção do Espírito e Deus, e que as entreguemos desinteressadamente ao seu uso.


Nas palavras do falecido Dr. Martyn Lloyd-Jones: “De fato eu tentei, talvez tolamente, comparar os puritanos com os Alpes, Lutero e Calvino com o Himalaia, e Jonathan Edwards com o Monte Everest! Ele sempre me pareceu ser o homem mais semelhante ao apóstolo Paulo. Naturalmente, Whitefield foi um grande e poderoso pregador, como foi Daniel Rowland, mas Edwards o foi também. Nenhum deles teve o intelecto, nenhum deles teve a compreensão da teologia que Edwards teve, foi o filósofo que ele foi. Ele sobressai, parece-me, inteiramente pelo que ele é, entre os homens“.


Jonathan Edwards está entre os heróis da fé, digno de ser imitado. Digno de ser imitado em sua devoção à Bíblia, pois lutou para entendê-la, lutou para aplicá-la. Também em sua busca assídua por Deus em oração, visto que ele passava grande parte de seu dia em oração. Não apenas como um costume, mas gozando dos privilégios desta prática. Sua reverência e temor de Deus foram um exemplo também. E apesar do profundo e vasto conhecimento, ele sempre manteve a humildade. Tudo isso porque ele possuía um senso das verdades celestiais, era um conhecimento afetivo, algo que, sem dúvida nenhuma, precisamos hoje como cristãos.


Deixemos que o próprio Edwards o descreva: “Aquele que é espiritualmente iluminado… não crê de maneira meramente racional que Deus é glorioso, mas tem um senso da natureza gloriosa de Deus em seu coração. Não há somente uma percepção racional de que Deus é santo, e de que a santidade é uma coisa boa, mas há uma percepção do caráter atraente da santidade de Deus. Não há apenas uma conclusão especulativa de que Deus é gracioso, porém o senso de quão amável Deus é, ou o senso da beleza deste atributo divino“.


Jonathan Edwards foi inteiramente contrário à separação entre coração e cabeça, que tantas vezes tem afetado os evangélicos. Ele unia o mais rico sentimento religioso aos mais elevados poderes intelectuais. Isso é realmente digno de aceitação.


Ele possuía uma apreciação singular por uma espiritualidade fervorosa e intensa. É denominado muitas vezes de teólogo do avivamento, da experiência e do coração. Não que o critério da verdade seja a experiência, mas que o cristianismo tem de ser experimental e prático, sendo a Escritura sempre o juiz de tudo.




SUAS OBRAS ESCRITAS


A vastidão dos escritos de Edwards é imensa. Antes de completar seus 20 anos, começou a escrever o tratado filosófico Sobre o Ser. Entre 1722-23 redigiu as suas Resoluções e ainda começou seu Diário e as Miscelâneas. No seu Diário faz um acurado auto-exame com base nas Resoluções. Já as Miscelâneas são uma espécie de diário intelectual que, ao longo de 35 anos, mostram o desenvolvimento de seu pensamento. Em 1739 ele também escreveu sua Narrativa Pessoal, que mostra sua infância, relacionamento com seu pai e as lutas com o seu próprio pecado e com as doutrinas calvinistas da soberania de Deus e da predestinação. Mas as obras mais admiráveis de Edwards são aquelas que analisam o avivamento como um todo. Em 1736, seu primeiro escrito que trata da natureza da experiência religiosa, a Fiel Narrativa da Surpreendente Obra de Deus, analisando os eventos ocorridos durante o avivamento de Northampton, entre 1734-35. Alguns anos depois publicou Marcas Distintas de uma Obra do Espírito de Deus em 1741 e em 1742 Alguns Pensamentos Acerca do Presente Reavivamento da Religião na Nova Inglaterra, tratando do “Grande Despertamento”. Em 1746 vem sua obra mais amadurecida sobre a experiência do avivamento, o fantástico Tratado Sobre as Afeições Religiosas. Neste livro ele argumenta que o verdadeiro cristianismo não é evidenciado pela quantidade ou intensidade das emoções religiosas, mas está presente sempre que um coração é transformado para amar a Deus e buscar o Seu prazer. Edwards também produziu obras teológicas, mas sempre possuindo uma dimensão prática. As controvérsias com sua congregação a respeito do direito de participar da Santa Ceia, levou-o, em 1739, a escrever Qualificações para a Comunhão, argumentando que somente pessoas convertidas devem participar do Sacramento.


Depois de ser despedido de sua Igreja, ele passaria os últimos 8 anos de sua vida na remota Stockbridge, o que lhe proporcionou muitas obras. Foi neste período que ele escreveu seu tratado sobre A Liberdade da Vontade (1754), argumentando que o ser humano é livre, mas Deus permanece soberano e é o único responsável pela salvação humana. Outras obras escritas nesse período foram: O Fim Para o Qual Deus Criou o Mundo e A Natureza da Verdadeira Virtude, publicadas depois, em 1765; O Pecado Original (1758); e História da Redenção, que foi publicado em 1774 na Escócia e nos Estados Unidos em 1786. Outro grande volume de obras de Jonathan Edwards foram os seus sermões, por exemplo, “Deus é glorificado na Dependência do Homem” (1 Co 1:29- 31), pregado a um grupo de pastores de Boston em 1731 e que foi o seu primeiro publicado. Em 1733 ele proferiu um outro importante sermão “Uma Luz Divina e Sobrenatural” (Mt 16:17). E seus 15 sermões sobre “A Caridade e os Frutos” (1 Co 13), pregados à igreja de Northampton em 1738, mas publicado somente em 1851.


David Brainerd
A correspondência pessoal dele também formou um volumoso e valioso conjunto de escritos, abordando temas de sermões. O seu “Relato do Reavivamento de Northampton em 1740-42” faz parte de uma carta que escreveu a um destacado ministro de Boston.


Edwards também escreveu uma biografia do famoso missionário David Brainerd (1718-1747) e publicou seu diário, um clássico devocional. Brainerd estava para casar com Jerusha, uma das filhas de Edwards, mas morreu na casa deste aos 29 anos de idade, vítima da tuberculose.


Portanto a vastidão das obras de Edwards é mais um poderoso incentivo para uma leitura decidida e persistente de um horizonte tão vasto que ele possuía em contato com a Escritura e os avivamentos. Busquemos mais deste valiosíssimo tesouro alcançável.




Luis Valério da Silva




Via Josemar Bessa Blog

Jorge Bessa

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Cristão, pecador, regenerado pela Graça somente, calvinista, focado na Teologia Reformada, interessado em filosofia, apologética e boa música. Em tempo - todo o material postado é de tradução exclusiva do Reforma&Razão, podendo, portanto, ser livremente repostado desde que respeitada a integridade do texto e orientações dos autores originais.

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