Concessões – Às Vezes Sutis, mas Sempre Significativas

03/05/2010
Semelhante ao caos filosófico e moral que resulta do naturalismo, todas as formas de corrupção teológica surgem quando rejeitamos ou comprometemos a verdade literal do relato bíblico da criação e da queda de Adão. 

Eu creio, é claro, que alguns Criacionistas da Terra Antiga¹ se mantêm fiéis à idéia da criação literal de Adão e afirmam que Adão foi uma figura histórica. Mas sua decisão de aceitar a criação de Adão como literal envolve uma mudança hermenêutica arbitrária sobre Gênesis 1:26-27 e mais uma vez em Gênesis 2:7. Se tudo em torno destes versos é tratado alegoricamente ou simbolicamente, é injustificável tomar aqueles versos no sentido literal e histórico. Portanto, o método criacionista da Terra Antiga de interpretar o texto de Gênesis, realmente prejudica a historicidade de Adão. Tendo uma vez decidido tratar o próprio relato da criação como mito ou alegoria, eles não têm bases para insistir (de repente e de forma arbitrária, ao que parece) que a criação de Adão é histórica e literal. Sua crença em um Adão histórico é simplesmente incompatível com a sua própria exegese do resto do texto.

Mas é uma incoerência necessária  afirmar uma Terra Antigapermanecer evangélicos. Porque se Adão não foi o antepassado literal de toda a raça humana, então a explicação bíblica de como o pecado entrou no mundo se torna impossível de fazer sentido. Além disso, se nós não caímos em Adão, não podemos ser redimidos em Cristo, porque a posição de Cristo como o Cabeça da raça redimida é um exato paralelo à posição de Adão como o cabeça da raça caída: “Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo.” (1 Coríntios 15:22). “Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida.Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.” (Romanos 5:18-19). Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante. (1 Coríntios 15:45, cf. 1 Timóteo 2:13-14; Judas 14).
E assim, em um importante sentido, tudo que a Escritura diz a respeito da nossa salvação através de Jesus Cristo depende da verdade literal do que Gênesis 1-3 ensina sobre a criação de Adão e a queda. Não há passagem mais essencial nas Escrituras.
O que os “Criacionistas da Terra Antiga” (incluindo, em grande medida, até mesmo os evangélicos) estão fazendo com Gênesis 1-3 é precisamente o que os liberais religiosos têm sempre feito com toda a Escritura, espiritualizando e reinterpretando o texto alegoricamente para fazê-lo significar o que eles querem que signifique. Esta é uma forma perigosa de se lidar com as Escrituras. E isso envolve uma capitulação perigosa e desnecessária aos pressupostos religiosos do naturalismo, além de uma séria desonra a Deus.
Evangélicos que aceitam uma interpretação da Terra Antiga de Gênesis abraçaram uma hermenêutica que é hostil a uma alta visão da Escritura. Eles estão trazendo para os capítulos iniciais da Bíblia um método de interpretação bíblica que foi construído com pressuposições anti-evangélicas. Aqueles que adotam essa abordagem já embarcaram em um processo que invariavelmente derruba a fé. Igrejas e Escolas que adotam esse ponto de vista não permanecerão evangélicas por muito tempo.
John MacArthur
1. O Criacionismo da Terra Antiga aceita a idade da Terra, ou até mesmo do Universo, defendida pelos evolucionistas, mas mantendo ainda posições conflitantes com a biologia destes. São apelidados criacionistas da Terra Antiga ou, muitas vezes, da Terra Velha. Já o evolucionismo criacionista, já citado, defende a tese de que a Bíblia ou outros livros considerados sagrados dão margem a uma mistura da evoluçãoorigem da vida e criação, dizendo que Deus deu origem à vida, mas permitiu que esta evoluísse.
A Bíblia faz menção de seis dias criativos e um sétimo dia não terminado. Os criacionistas que apóiam a tese da Terra Antiga tentam realizar uma interpretação abstrata da palavra “dias”, dizendo que dias podem significar milhares ou até mesmo bilhões de anos, tentando tornar compatível a tese da criação com a datação apresentada pelos que crêem na evolução.

Jorge Bessa

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Cristão, pecador, regenerado pela Graça somente, calvinista, focado na Teologia Reformada, interessado em filosofia, apologética e boa música. Em tempo - todo o material postado é de tradução exclusiva do Reforma&Razão, podendo, portanto, ser livremente repostado desde que respeitada a integridade do texto e orientações dos autores originais.